domingo, 25 de novembro de 2012

Cervejas artesanais

Cervejas Colorado

Cervejas artesanais são aquelas produzidas quase que de "forma caseira". Várias micro-cervejarias, mesmo utilizando equipamentos modernos e engarrafando suas produções, ainda assim são consideradas como cervejarias artesanais pelo cuidado que têm com sua produção, indo desde os ingredientes básicos da cerveja, passando pela receita de preparo e chegando até aos conservantes finais, que devem ser naturais e não químicos.
Outras micro-cervejarias, ou cervejarias caseiras, são realmente o que podemos chamar de artesanais ao pé da letra. Utilizam equipamentos pequenos, que cabem em qualquer cozinha, normalmente não possuem engarrafadoras e guardam suas produções com garrafas de cerveja comum e rolhas.
Ao ouvir falar em Cerveja Artesanal, pense em cervejas mais bem cuidadas, com produções mais restritas (mas não necessariamente pequenas), o que leva a produtos com resultados finais muito interessantes e diversificados.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cerveja Faz Bem Ou Faz Mal?


Cerveja e Saúde
Ok, você sempre ouviu por aí as mais variadas histórias sobre cerveja, certo? Cerveja dá barriga. Cerveja é diurética. Cerveja faz bem. Cerveja faz mal. Cerveja vicia...
Mas e aí, beber cerveja faz bem ou mal à saúde?

Assim como todos os alimentos, os cientistas ainda estudam os efeitos benéficos ou maléficos que a cerveja produz no organismo. Mas de uma coisa todos já têm certeza: Assim como todos os alimentos, o consumo da cerveja deve ser MODERADO.

Os efeitos do álcool sobre a saúde dependem fortemente da quantidade consumida e de outros fatores como sexo, peso corporal, alimentação e predisposição genética. O abuso do álcool aumenta a mortalidade por causar doenças no fígado, câncer e doenças cardiovasculares. Essa é a parte ruim da coisa...

A literatura mais recente, entretanto, indica que o consumo moderado de álcool está associado a uma redução total do risco de mortalidade. De acordo com as novas pesquisas, o baixo índice glicêmico e as propriedades fitoestrogênicas da cevada e lúpulo usados na produção da cerveja são elementos que promovem uma dieta equilibrada e previnem a ocorrência de doenças cardiovasculares.

Recentemente dados foram publicados sobre os potenciais efeitos protetores dos antioxidantes do vinho. Foi também descoberto que a cerveja, vinho e destilados diferem muito no seu conteúdo antioxidante, mas o consumo destas bebidas não leva a diferentes capacidades antioxidantes no soro humano. Novos números, entretanto, sugerem que o consumo moderado de cada tipo dessas bebidas alcoólicas aumentam semelhantemente a capacidade antioxidativa no soro humano. estas descobertas elucidam a contribuição do consumo moderado de álcool para um estilo de vida saudável.

Mas dá barriga? Dá. Assim como quase todos os outros alimentos, uns menos, outros mais. Um copo (300ml) de uma cerveja do tipo Pilsen, por exemplo, possui cerca de 300 calorias. As cervejas mais encorpadas, sobretudo as Ales, têm ainda mais calorias por mililitro.

Portanto, a palavra de ordem, como tudo na vida, é MODERAÇÃO. O Consumo regular e moderado de cerveja pode tornar-se um estilo saudável de vida, juntamente com uma alimentação equilibrada e exercícios físicos.

Um abraço e Saúde! 

FABIANA PANOBIANCO - Nutricionista 
www.fpnutri.com.br

domingo, 18 de novembro de 2012

Top 10 Cervejas mais caras do mundo.

Cervejas caras
Top 10 Cervejas mais caras do mundo.

Se você gosta de algo espacial, você vai adorar essa cerveja. Ela foi produzida pela cervejaria japonesa Sapporo com a cevada plantada por pesquisadores japoneses a bordo da Estação Espacial Internacional.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Estilos de Cervejas: Lambics

Cervejas Lambics
Se desde a antiguidade a cerveja tem a reputação de fazer bem à pele – as egípcias passavam a espuma da bebida na face -, as Lambics ainda têm o poder de propiciar um segundo “benefício” aos degustadores: exercitar os músculos do rosto. Não raro, o reflexo de se afastar ligeiramente do copo e fazer uma careta chega quase “empatado” com a percepção dos intensos aromas das cervejas “selvagens”, assim chamadas por terem fermentação espontânea, constituindo uma família à parte de Ales e Lagers. Mas não vá o degustador mais apressado correr para esvair sua recém-adquirida cerveja do estilo pelo ralo antes de ler esta reportagem até o final. E, principalmente, antes de prová-la. A quem tiver uma boa dose de “coragem” e curiosidade, estarão reservadas belas surpresas no copo.

A base das Lambics é a fermentação espontânea, feita por leveduras e bactérias “indomáveis” presentes no ar. Foi dessa forma que nasceram as primeiras cervejas, há alguns milhares de anos, até a descoberta das células de levedura, no século XIX. Hoje, a produção do estilo está restrita a cerca de dez cervejarias na região do vale do rio Senne, em torno de Bruxelas, na Bélgica. Há algumas versões para a origem do nome: uma delas está ligada à cidade de Lembeek (cuja tradução pode ser “riacho do limo”), que fica ao sul de Bruxelas e abriga uma das cervejarias produtoras de Lambic atuais, a Boon. Também é possível que ele esteja associado à permissão de atividades de destilaria em algumas regiões onde também era produzida a Lambic. Durante o período de domínio espanhol, entre os séculos XVI e XVIII, esses locais eram chamados de “alambiques”.

Além da Lambic em si, pouco carbonatada e mais difícil de ser encontrada em sua versão “natural”, o estilo tem subdivisões como as fruit lambics (que, como diz o nome, têm adição de frutas durante a maturação da cerveja) e as gueuzes, resultantes da mistura de Lambics de diferentes safras ou barris (gerando fermentação secundária), bem mais carbonatadas. Também há uma variante chamada “oude gueuze” que, por uma regulamentação de 1997 dos produtores, deve ter em sua composição parte de uma produção com pelo menos três anos de maturação e contar, ainda, com uma idade média de no mínimo um ano na garrafa e seis meses em barril. Entre as subdivisões, existe também a faro, que recebe adição de açúcar e, ocasionalmente, de cascas de laranja e condimentos.

Uma das características do estilo é o uso de trigo não-malteado (a regulamentação de produtores prevê um mínimo de 30% em relação à cevada malteada usada na receita) e de lúpulos envelhecidos para minimizar aromas e amargor (ainda assim, a cerveja conta com as propriedades conservantes da planta). Em função do envelhecimento, a quantidade de lúpulos utilizada é bem maior do que em cervejas de outros estilos. Mas a “alma” das Lambics está no ar, mais precisamente nas cerca de 200 variantes de levedura e outros tipos de bactérias nele existentes apenas na região da Bélgica, onde estão os produtores. Há grupos de leveduras oxidantes e da família Brettanomyces, das quais dois tipos estão ligados diretamente à região: Brettanomyces bruxelensis e a Brettanomyces lambicus.

A família Brettanomyces trabalha mais lentamente sobre a cerveja. Por isso, as Lambics demoram consideravelmente mais para atingirem seu estado ideal de consumo do que Lagers e Ales. Em seu livro “Great Beers of Belgium”, o finado beer hunter Michael Jackson escreveu: “Em termos gerais, uma boa Ale pode ser feita em três semanas; uma excelente Lager, em três meses e uma ótima Lambic, em três verões”. O demorado processo de fermentação também faz com que as Lambics sejam bastante secas, sem açúcares residuais destacados (à exceção de algumas fruit lambics).

Para que as leveduras presentes no ar possam agir sobre o mosto cervejeiro, cervejarias mais antigas contavam com grandes “piscinas” rasas para aumentar a superfície de contato do líquido com o ambiente. A produção geralmente é feita nos meses mais frios da Europa, de setembro a maio, pois o verão e o calor são considerados fator de imprevisibilidade para a ação das leveduras no ar. Os produtores, aliás, procuram alterar o mínimo possível as condições das fábricas a fim de não perturbar a microflora presente. Há alguns anos, porém, esse cuidado vinha “batendo de frente” com a legislação européia de higiene. Depois de muitas discussões, as duas partes cederam. Fabricantes atenderam a alguns requisitos de limpeza das fábricas (Jackson afirma que há 30 anos era comum ver paredes mofadas e teias de aranha nas cervejarias de Lambic, o que não ocorre mais nos últimos anos), mas mantiveram a produção em barris de madeira, muitos dos quais comprados de produtores, importadores de vinho ou mesmo de cervejarias que estão trocando os equipamentos por aço inox. Vale ressaltar que, apesar da polêmica, as bactérias presentes nas Lambics não fazem mal à saúde.

Uma maneira mais “suave” de se iniciar no mundo das Lambics é começar com as variedades que levam frutas em sua composição. Um exemplo é a Boon Kriek, que começou a ser importada pela Bier & Wein. À Lambic é adicionada uma variedade de cereja (a kriek), que acaba sendo fermentada em conjunto. A produção da Boon apresenta aroma destacado de cerejas, adocicado, com notas acéticas mais “cobertas” e um interessante toque de madeira. O acético também é atenuado no sabor, com a cereja e a doçura predominando. Uma versão ainda mais suave do estilo, a Belle-Vue Kriek, chegou a ser importada em 2008 pela Ambev, mas seu fornecimento foi descontinuado.

Na outra ponta de força, está a Rosé de Gambrinus, produzida pela Cantillon, de Bruxelas – provavelmente a cervejaria do estilo mais conhecida no Brasil -, com adição de framboesa. O próprio fabricante avisa que as versões mais antigas da cerveja tendem a apresentar uma dominância das características de Lambic sobre as da fruta. Só tomei conhecimento disso depois de provar a cerveja, o que me fez dar um “pulo” inicial na cadeira ao sentir o aroma de uma garrafa com cinco anos de envelhecimento. O acético é realmente intenso e, para alguns, pode ser difícil de ser transposto. Mas quem conseguir “furar o cerco” vai perceber também notas de framboesa e de madeira. A maior surpresa, porém, está no sabor: apesar da acidez e do acético característicos e capazes de dar aquela “travadinha” na mandíbula, não conseguia parar de tomar a Rosé de Gambrinus. O sabor de framboesa que se insinuava do meio para o final de cada gole me fez persegui-lo até a última gota.

Entre as gueuzes, para os mais versados no estilo há a Boon Mariage Parfait, que foi definida pelos produtores como “oude gueuze” (blend de produções com pelo menos três anos de maturação), daí o mariage parfait, ou 'casamento perfeito'. O aroma, como é de se esperar, tem notas acéticas destacadas, um elemento que, em inglês, é chamado dehorse blanket (ou cobertor de cavalo, que lembra estábulos e couro). Mas, em meio a eles, há ainda notas adocicadas, frutadas, madeira, uma suave licorosidade e um quê de vinho bastante aparente. No sabor, destacam-se, ainda, um amargor intenso e a sensação de que os declarados 9% de álcool não estão lá (na verdade, estão bem “cobertos” por outros elementos da cerveja).

Adaptando Euclides da Cunha para termos cervejeiros, poderíamos dizer que “o degustador de Lambics é, acima de tudo, um forte”. Mas a melhor definição do estilo é do mestre Michael Jackson: “As Lambics são as mais belgas das cervejas. As mais incomuns do mundo e as mais desinibidamente naturais. Não são fortes nem agressivas, mas têm um claro e firme caráter de vinho que pode chocar no primeiro gole – e seduzir ao ponto da obsessão qualquer um que genuinamente ame a exploração dos sentidos”.
Por Roberto Fonseca.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Estilos de Cervejas: Ales

Cervejas Ales


O que a difere das Lager é o tipo de fermentação, que é feita em temperaturas mais altas, geralmente entre 15 e 24ºC. É um processo antigo de fabricação, o que fez com que as cervejas do tipo Ale fossem as únicas disponíveis até meados do século XIX, quando foi inventada a baixa fermentação (Lager).



Dada essa “antigüidade”, aliada principalmente à fermentação a quente, os sabores complexos, maltados e lupulados das cervejas Ale são incomparavelmente mais perceptíveis, sendo cervejas mais encorpadas e vigorosas.



Assim ao longo dos séculos, surgiram inúmeros subtipos de cervejas Ale. A seguir, falaremos um pouco sobre os subtipos que você encontrará mais freqüentemente no Ranking BREJAS de Cerveja:



PALE ALES



São as Ales claras, com graduação alcoólica até 6%. Foram criadas para competirem com as cervejas Pilsen durante a Segunda Guerra Mundial, portanto compartilham a característica de serem mais suaves. É um dos maiores grupos de cerveja e possui alguns sub-tipos ou sub-nomes:



AMERICAN PALE ALE, como a Sierra Nevada Pale Ale, designa as americanas mais claras (10A)

ENGLISH PALE ALE, também cahamda de ENGLISH BITTER, ou apenas BITTER, nome usado na Inglaterra por serem mais amargas que as demais cervejas, como as Porters por exemplo. Podem ser Standard Bitter (8A), Especial Bitter (8B) ou Extra Special Bitter/ESB (8C)

BELGIAN PALE ALE, as Ales claras belgas (16B)

BELGIAN BLOND ALE, algumas vezes chamadas de Golden Ale também, são as Pale Ales mais douradas e um pouco mais encorpadas

INDIA PALE ALE ou somente IPA, como a Colorado Indica, cerveja carregada em lúpulo, criada pelos ingleses para aumentar o tempo de conservação da cerveja que seria levada para as viagens pela Índia. Varia na intensidade de amargor e percentual de álcool de acordo com o sub-tipo, da menor pra maior: English IPA (14A), American IPA (14B) e Imperial IPA (14C)

AMBER/BROWN E RED ALE



Diferenciando-se em coloração principalmente, mas também acompanhando em corpo e potência, estão algumas outras categorias de estilo:



AMERICAN AMBER ALE, usado na França e EUA para classificar as Ales um pouco mais escuras (10B)

AMERICAN BROWN ALE, mais excura e maltada e menos lupulada que suas "irmãs" American Pale e Ambar Ale

ENGLISH BROWN ALE, denomina as inglesas mais escuras. Podem ser Mild (11A), Southern (11B) ou Northern (11C). A New Castle Brown Ale, famosa e até fácil de encontrar por aqui, é uma Northern English Brown Ale.

RED ALE, avermelhada devido ao uso de um pouco de malte tostado. Também chamada de IRISH RED na Irlanda (9D). Um exemplo comercial que desde 2008 pode ser encontrado no Brasil é a Kilkenny Irish Beer, da Diageo, mesma empresa que faz a Guinness.

ALTBIER



Altbier, ou simplesmente Alt, proveniente da região de Düsseldorf na Alemanha, seguem o estilo antigo de produção de Ales, antes mesmo do surgimento das Lagers. É muitas vezes considerada uma ligação enter as cervejas Ales e as Lagers, por ser feita com fermento de Ale porém fermentada em temperatura de Lagers. Podem ser Dusseldorf Altbier (7C) ou Northern German Altbier (7A). Um exemplo desse último estilo é a holandesa Grolsch Amber Ale.



SCOTCH ALE



Ales da escola escocesa, variando, principalmente em potência, entre Light (9A), Heavy (9B), Export (9C) e Strong (9E).



SAISON



Feitas em Wallonia - Bélgica, as Saison (16C)chegam a ser comparadas a vinhos tintos devido a fermentação e sabores presentes em comum.



BIÈRE DE GARDE



Cerveja de guarda feita principalmente na França, na região de Pas-De-Calais, as Bière de Garde (16D) são feitas para durarem anos, normalmente têm uma última fermentação na garrafa e muitas vezes são vendidas em garrafas com rolhas. Janlain Amber e La Choulette são bons exemplos não tão dificeis de encontrar.



STRONG ALES



Denominação genérica que inclui uma variada gama de cervejas que podem ser claras ou escuras. Possuem alto teor alcoólico, que vai de 6 e pode chegar a 12%. Podem ser saborosas e balanceadas, “inserindo” harmoniosamente o álcool no conjunto, ou podem ser simplesmente fortes e desbalanceadas, evidenciando a gradação alcoólica. (19)



Dentro deste subtipo estão as Barley Wines (19B e 19C) - quase tão fortes quanto vinho - e também as Old Ale (19A), como a Fuller's 1845, agora facilmente encontrada no Brasil.



BELGIAN STRONG ALES

Produzidas principalmente na Bélgica, estas possuem algumas caracerísticas diferenciadas que as fazem cair em um agrupamento diferenciado. (18)



Os vários tipos seguem abaixo:



DUBBEL: Cerveja do tipo Ale na qual o mestre cervejeiro adiciona o dobro da quantidade de malte do que uma cerveja “comum”. Geralmente balanceadas e de teor alcoólico mediano, possuem bom corpo e carbonatação alta. (18B)

TRIPEL: Cerveja na qual se adiciona três vezes mais malte do que em uma cerveja “comum”. Possuem, em geral, coloração amarelo-dourado, creme denso e consistente e a gradação alcoólica girará entre 8 a 12%. Aroma e sabor são complexos, macios e com forte presença de frutas o que, às vezes, pode lhe conferir um paladar adocicado. Excelente equilíbrio entre o lúpulo e o fermento utilizado no fabrico. (18C)

ABT/QUADRUPEL: São cervejas mais escuras e mais ricas, utilizando o quádruplo de malte do que em uma cerveja “comum”. O volume de álcool é sempre forte, muitas vezes ultrapassando os 10%.Entram aqui a famosíssima Westvleteren 12 e também a Rochefort 10 e La Trappe Quadrupel.

GOLDEN STRONG ALE: São as loiras mais fortes e encorpadas, até 10,5% de ácool, com colaração amarelo-dourado e sabor é frutado (18D). Entram neste grupo: Duvel e Delirium Tremens, entre outras.

DARK STRONG ALE: São as Belgian Ales escuras, fortes e encorpadas. Com várias representantes de peso, como Chimay Bleu, Rochefort 8 e Gulden Draak, essa categoria tem cervejas que chegam a 11% de álcool. (18E)

BELGIAN SPECIALTY ALE



São as temperadas (veja mais abaixo), só que belgas. Também entram aquelas belgas que, por um motivo ou outro, não se encaixam dentro de nenhuma outra categoria das belgas, portanto caem aqui como Belgian Specialty Ale (16E). Mesmo assim, não pense que este estilo é pouco conhecido. Aqui está a trapista Orval, odiada por muitos, amada por muitos também. Também está a La Choufe, a Unibroue Maudite e a McChouffe.

KÖLSCH



Do berço alemão de cervejas e de coloração dourada, é normalmente mais doce e com menos lúpulo que as suas irmãs. Em muitas receitas leva vários grãos, inclusive trigo. Pela regra, somente cervejas feitas em Köln (Colonia) poderiam levar o nome Kölsch (6C), assim como ocorre com o Champagne. Entretanto, temos casos de cervejas brasileiras, como a Eisenbahn, que oferecem sua versão.



WEISSBIER (Weizenbier, Wheat Beer ou Cerveja de Trigo)



Produzida principalmente pelas grande cervejarias alemãs como HB, Paulaner, Erdinger, Franziskaner e Weihenstephan, é uma cerveja feita a base de trigo e característica do sul da Alemanha, região da Baviera. São cervejas claras e opacas, onde sobressai o trigo com o qual foram produzidas, bem como sabores frutados (banana e maça), cravo e florais. Bastante refrescantes e de graduação alcoólica moderada (entre 5 e 6%), são opacas e normalmente não filtradas. Produzem, em geral, um creme denso e persistente. Aqui no Brasil a Bohemia fabrica sua versão, chamada Bohemia Weiss.



As variedades possíveis são:



Hefeweizen, de cor amarelada-marrom opaca, pois a levedura não é filtrada. Erdinger Hefeweizen é a mais conhecida aqui no Brasil (15A)

Kristallweizen, de cor clara e transparente, leve na degustação. Normalmente é filtrada, não tendo adicão de levedura diretamente na garrafa. Um exemplo é a Franziskaner Weissbier Kristallklar

Dunkelweizen ou Hefeweissbier dunkel, cerveja de trigo escrura, de gosto mais forte. A Erdinger tem sua versão, aquela com rótulo preto, chamada de Erdinger Weissbier Dunkel. (15B)

Weizenstarckbier ou Weizenbock, cerveja tipo bock com uma graduação alcoólica entre 5% e 12%. Exemplo é a Aventinus, feita pela G. Schneider & Sohn. (15C)

Berliner Weisse ou Berlin White (cerveja branca berlinense), de graduação alcoólica entre 2 e 4% e de cor amarelada e opaca. Por ser levemente azeda, é comum adicionarem xaropes doces de frutas. (17A)

Witbier (Belgian White), esbranquiçadas devido às leveduras e ao trigo suspenso (daí o nome). Possui um toque cítrico de laranja, já que a casca da fruta é usada como complemento ao lúpulo. Também leva "coriander", conhecido por nós como semente de coentro. A marca mais representativa é a Hoegaarden, além da Unibroue Blanche de Chambly. (16A)

Bière Blanche ou Blanche: apenas o nome em francês para as cervejas de trigo

Russ, cerveja de trigo com acréscimo de suco de limão (Zitronenlimonade), assim como ocorre com a Radler

STOUT



Cervejas negras opacas, dotadas de forte sabor de chocolate, café e malte torrado, pouca carbonatação (13). Sua origem remonta à época em que parte da produção das cervejarias inglesas era destinada à Rússia e aos países bálticos. Para suportar a viagem, essas cervejas possuíam – assim como possuem hoje – alto teor alcoólico, variando de 8 a 12%.



Sua representante mais famosa é a Guinness.



Também apresenta diversos sub-tipos



Dry Stout (13A)

Sweet Stout (13B)

Oatmeal Stout (13C)

Foreign Extra Stout (13D)

American Stout (13E)

Russian Imperial Stout (13F)

PORTER



Comumente confundida com as Stouts, tem lá sua razão de ser: o nome Stout surgiu de uma diminuição do nome "Stout Porter", usado para classificar as Porters mais fortes. Portanto, a Porter é uma cerveja mais suave que sua parente Stout, normalmente com 1 a 2% a menos de álcool. Pra se ter uma idéia de como uma coisa levou à outra, a cervejaria Guinness produzia Porters até 1974.



As Porters são cervejas escuras, típicas da Inglaterra, e não tão fáceis de se encontrar aqui no Brasil. Podem ser Brown Porter (12A) ou Robust Porter (12B). Outra variedade, chamada Baltic Porter (12C), tem mais álcool e, apesar de ter começado como Ales, hoje são normalmente Lagers.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Estilos de Cervejas: Lager

Cervejas Lagers


Lager é um tipo de cerveja fermentada com uma levedura que trabalha melhor em temperaturas mais baixas. Essa levedura que trabalha melhor em temperaturas mais baixas é chamada de levedura de baixa fermentação.  Ao processo pelo qual a cerveja é maturada em temperaturas baixas (comumente em caves, cavernas ou adegas) por longos períodos de tempo, chamamos de lagering, do alemão lagern que significa armazemar. Atualmente, pode ser considerado o tipo de cerveja mais consumido no mundo. Lager é um termo genérico que inclui diversas variedades de cerveja, como por exemplo, Pilsener, Pale Lager, Bock e Dopellebock.


As cervejas de tipo lager são diferenciadas das cervejas de tipo ale pelo fermento usado durante o seu processo de fabricação. O fermento utilizado nas lagers inicia a fermentação em temperaturas mais baixas (7 - 12 °C), o que faz com que ele se acumule no fundo do tanque de fermentação. Já as cervejas ale utilizam um tipo de fermento que inicia o processo de fermentação a temperaturas mais elevadas (15 - 24 °C) levando-o a se acumular no topo do tanque de fermentação. São essas diferenças que fazem com que as cervejas de tipo ale sejam conhecidas como cervejas de "alta fermentação" e as lager como de "baixa fermentação".

Como a definição moderna do termo lager se relaciona apenas com o método de fermentação utilizado, as cervejas lager possuem características extremamente variadas. Tradicionalmente, no entanto, a lager padrão é uma cerveja de coloração clara, normalmente representada pelas Pale Lager ou pelas Pilsener. Este tipo de lager normalmente possui um sabor levemente amargo, sendo recomendado que sejam servidas geladas. As cervejas tipo lager possuem um sabor bastante simplificado quando comparadas com as ale que, em geral, possuem um sabor mais frutado. Isso é decorrente do fato das baixas temperaturas necessárias para a fabricação das lager fazerem com que a levedura produza menos éster e fenol, compostos químicos e orgânicos associados aos sabores mais frutados.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Etimologia da palavra 'cerveja"



Existem vários pontos de vista:
Em todo caso, a raiz comum é facilmente perceptível em suas formas em português cerveja, em espanhol cerveza, em catalão cervesa e em galego cervexa. Em outros idiomas europeus são usados ​​derivados da mesma raiz germânica, como a palavra bier, como no inglês beer, francês bière e italiano birra. Em inglês também usa-se a palavra ale, equivalente a öl palavra escandinava para a bebida.

fonte.: Enciclopedia

História da Cerveja


Você já imaginou um mundo sem cerveja? Não seriam só suas happy hours que estariam comprometidas. Vários cientistas acreditam que a civilização poderia simplesmente não existir se o homem não tivesse inventado o pão... e a cerveja. Foi a descoberta da fermentação dos cereais – processo básico da fabricação desses dois alimentos – que incentivou o homem a abandonar a vida nômade de caçador e coletor e se reunir em comunidades agrícolas. Pela primeira vez, era possível comer e beber com prazer, já que o processo de fermentação era capaz de mascarar alguns sabores desagradáveis. Há 12 mil anos, isso foi um avanço e tanto.
As evidências arqueológicas mais antigas da bebida são de 6 mil anos antes de Cristo e foram encontradas na Mesopotâmia (região onde hoje é o Iraque). Mas é possível que a primeira loirinha tenha sido fabricada bem antes disso, por algum povo antigo da Ásia. Rica em carboidratos e proteínas, ela foi um complemento alimentar importante e uma ótima substituta para a água, cuja pureza não era lá essas coisas naquela época. Grossas e corpulentas, as cervejas pioneiras não se pareciam em nada com o chope que você bebe hoje. Já as razões pelas quais uma mesa de bar parece irresistível numa sexta-feira depois do expediente não mudaram tanto assim.

Primeiros goles
Afinal, quem veio primeiro: o pão ou a cerveja? Intrigado com a questão, o químico inglês Ian Hornsey, da Sociedade Real de Química, leu, pesquisou e ouviu historiadores, antropólogos, arqueólogos, químicos e cientistas em geral e escreveu A History of Beer and Brewing ("Uma História da Cerveja e da Fermentação", sem tradução em português), um calhamaço de 700 páginas que investiga a fabricação da bebida desde os seus primórdios. Não há consenso sobre as verdadeiras origens da birra, mas Hornsey constatou a existência de um raciocínio comum entre os estudiosos: a cerveja não foi inventada pelo homem, mas descoberta por acaso.
Tudo teria começado com alguns grãos de cevada expostos à umidade, que fermentaram naturalmente em contato com o ar. Algum homem encontrou esse líquido e, bravamente, resolveu prová-lo. Claro que ele gostou daquela poção primitiva e se encarregou de recriar o processo. Pronto. A humanidade estava apresentada à bebida mais democrática dos últimos 8 mil anos. Esse feliz acidente etílico teria acontecido com um habitante do Oriente Médio, não por acaso o berço da nossa civilização.
As pesquisas de Hornsey mostraram que a tecnologia de fabricação da cerveja teria explodido no antigo Egito, já na era da Pré-dinastia, entre 5500 e 3100 a.C., mas mesmo sobre esse fato há um bocado de controvérsia. As teorias desencontradas têm uma explicação: é muito provável que a loirinha não tenha sido uma invenção isolada. Alguns arqueólogos conseguiram provar que ela surgiu espontaneamente por todo o planeta, inclusive em civilizações ocidentais que viveram isoladas até o século 15.
Aprecie com Moderação!O que parece ter sido um denominador comum, em todas as sociedades, é a função social do ato de beber. "A falta de realidade causada pela embriaguez deve ter sido profundamente bem-vinda num mundo sombrio e entediante", escreve Hornsey. Alguma semelhança com suas motivações para um copo de cerveja?
Nos primórdios, a palavra cerveja englobava toda bebida fermentada originada de algum grão, e cada região preparava a bebida de forma distinta. Na África, todas as tribos têm a sua bebida alcoólica tradicional, feita do cereal predominante na região. Na América do Sul, os índios da Amazônia usavam a mandioca, e os incas, o milho – que ainda hoje é usado para preparar a chicha boliviana. Japoneses, chineses e russos fermentavam bebidas de arroz, trigo e centeio, respectivamente. No restante da Ásia, o sorgo (uma planta também conhecida como milho-zaburra) era o preferido.
Até a invenção dos destilados, no século 14, a outra opção de bebida alcoólica era o vinho, considerado um líquido nobre por gregos e romanos. Para esses povos, era quase absurdo o fato de que até os faraós do Egito apreciavam aquela bebida grossa e turva produzida com a mistura de cevada e água. Mas felizmente os preconceitos desses dois povos foram ignorados no Oriente Médio e a tradição se espalhou. Diferentemente do vinho, a cerveja era uma bebida democrática e agradava reis e escravos. Ela era oferecida aos deuses em festas religiosas, receitada como remédio e usada como salário para operários.
Se a bebida não era exatamente a mesma de hoje, o comportamento social dos bebedores não mudou tanto assim. Há 4 600 anos, o ministro egípcio Kagmeni se viu obrigado a bolar a primeira campanha de consumo consciente. "Um copo de água sacia a sede" era um dos slogans que tentavam doutrinar os boêmios adeptos dos copos. Constantemente bêbados, celtas, vikings e saxões eram capazes de brigar com os próprios companheiros depois de vencerem uma guerra.

Abençoada por Deus
No continente europeu, onde hoje vivem os maiores consumidores mundiais de cerveja, a bebida progrediu e mudou a história da humanidade. No mundo medieval ela era tão preciosa que valia até como pagamento do dízimo na Igreja e dos impostos.
Como a produção era simples – bastavam um suprimento de água e cereais, um esmagador de grãos, uma vasilha, fogo com combustível para aquecer a água e recipientes para armazenar – a cerveja era normalmente produzida em casa. E sem condições de conservá-la por muito tempo, a produção servia apenas para consumo imediato.
Na primeira metade da Idade Média, entre os anos 500 e 1000 da era cristã, a produção foi centralizada em monastérios e conventos, que costumavam oferecer pousada e refeições para os viajantes. Santa decisão. Com tempo para aprimorar a produção, os religiosos revelaram-se excelentes e abnegados mestres cervejeiros. Nessa época nasceu a cervejaria mais antiga do mundo ainda em atividade, montada em 1040 no mosteiro Weihenstephan, na cidade alemã de Freisig.
Naquele tempo, era comum a adição de ervas e raízes como gengibre, sálvia e louro para aromatizar a cerveja. Foram os monges em suas experiências que aperfeiçoaram a bebida, introduzindo o lúpulo no processo de fabricação a partir do século 9. Simultaneamente, ele passou a ser utilizado na Alemanha, na Suíça e na Inglaterra. Essa folha conferiu à bebida um sabor amargo e, o melhor de tudo, tornou-a mais resistente à passagem do tempo, abrindo melhores possibilidades de armazenagem e transporte.

A bebida doméstica
Um dos marcos da padronização da produção da cerveja é o Reinheitsgebot, o código de pureza promulgado pelo duque Guilherme IV da Bavária em 23 de abril de 1516. A lei proibiu o uso de qualquer cereal, erva ou tempero que não fossem malte de cevada, lúpulo e água no preparo de cervejas. A proibição, no entanto, só valia para as cervejarias comerciais da época. "O duque e seus companheiros estavam livres para usar o que eles quisessem", diz Hornsey.
De qualquer forma, a lei da Bavária pegou e foi aplicada em todo o território alemão depois da unificação do país, no século 19. Atualmente, ela vale como regra para a maioria das fábricas européias que buscam um produto de qualidade internacional (a exceção são as cervejas de alta fermentação, tradicionais na Alemanha, que utilizam o malte de trigo).
O maior mérito do Reinheitsgebot foi combater a falsificação da bebida, que se tornara uma praga na Europa no século 15. Em 1492, o rei inglês Henrique VII criou uma carta de recomendação para os fabricantes honestos, que facilitava a exportação do produto para outros países. Na mesma época, e discretamente, os cervejeiros começaram a incentivar o consumo da bebida fora dos bares. Como na época ainda não haviam sido inventadas as eficientes campanhas publicitárias com muitas mulheres em poucas roupas exibindo seus atributos em outdoors e propagandas de TV, a criação da cerveja engarrafada foi uma mão na roda.
Não se sabe ao certo quem teve a idéia, mas os diários de Alexander Nowell, sacerdote-chefe da Catedral de São Paulo, em Londres, de 1560 a 1602, já mencionam a existência da cerveja em garrafas de vidro. Antes disso, os recipientes eram barris de carvalho ou vasilhames de couro. Nowell descobriu, em 1602, que a bebida durava mais se as garrafas estivessem lacradas com rolhas de cortiça. O novo formato permitia que a cerveja fosse levada para casa, mas foi apenas em 1882 que os fabricantes notaram que a loirinha azedava nas garrafas claras e adotaram o vidro escuro, que impede a passagem da luz e garante a integridade do produto por mais tempo.
Mas e as cervejas modernas vendidas em garrafas transparentes? O jornalista austríaco Conrad Seidl, autor de O Catecismo da Cerveja, conta que hoje se adiciona óxido de magnésio ao lúpulo para proteger a cerveja dos raios ultravioleta. A substância não altera o gosto e o vidro claro permite que o potencial bebedor admire o tantas vezes irresistível amarelo da bebida. "As garrafas transparentes são mais um golpe de marketing, não influenciando em nada o gosto da bebida", afirma Seidl.
Quando a revolução industrial tomou o mundo no século 19, diversos países já tinham as suas próprias cervejas típicas. A Alemanha era o lar das claras Dortmunder (amarga e picante) e Weissbier (leve e ácida) e das escuras München (leve e picante), Bock (forte e encorpada) e Malzbier (doce). Os checos inventaram a Pilsen (leve e encorpada). Na Inglaterra, os súditos bebiam a clara Ale (frutada) e as escuras Stout (doce e amarga) e Porter (doce e forte). Mas o pontapé inicial para a fabricação em grande escala veio dos Estados Unidos, que há 300 anos desenvolviam sua indústria nacional. A refrigeração (1860), a pasteurização (1876), a tampinha de metal (1892) e o aperfeiçoamento da filtragem popularizaram a cerveja engarrafada, que agora podia ser produzida e vendida em grandes quantidades.
Para abalar de vez os hábitos dos consumidores, a fábrica americana Kreger, de Newark, lançou a primeira cerveja em lata de estanho que, no lugar do lacre – inventado em 1965 – tinha uma tampinha de metal igual à das garrafas de vidro. A latinha de alumínio foi adotada pela também americana Coors em 1959 e demorou mais 30 anos para aparecer no Brasil. A novidade mais recente, cervejas em garrafas plásticas, aportou nos supermercados daqui nos anos 90, mas ainda não caiu no gosto dos bebedores.

Gelada nos trópicos
Apesar de nós, brasileiros, nos considerarmos com freqüência amantes incomparáveis de cerveja, a tradição não reforça esse mito. O Brasil entra tarde na história da bebida mais popular do mundo. Apesar de os colonizadores holandeses terem trazido a bebida em 1634, via Companhia das Índias Ocidentais, nenhuma cervejaria foi instalada em solo nacional. "Com a saída dos holandeses em 1654, a cerveja deixou o país por um século e meio e só reapareceu no fim do século 18", escreveu Sergio de Paula Santos em Os Primórdios da Cerveja no Brasil. Dá para acreditar que nós fomos capazes de viver sem a bebida por 150 anos?
Antes da chegada da família real, em 1808, os portos brasileiros estavam fechados aos navios estrangeiros. Mas isso não significa que os portugueses estavam privados da bebida. A pouca cerveja que aparecia por aqui era contrabandeada. Com as importações liberadas, houve períodos de predominância dos barris ingleses e das garrafas alemãs. Embora não seja possível precisar uma data, registros mostram que imigrantes alemães do Rio Grande do Sul fabricavam a própria cerveja por volta de 1820.
O fato é que nossos avós e bisavós gostaram da bebida e passaram o costume para as gerações seguintes. Hoje, cada brasileiro consome cerca de 50 litros de cerveja "estupidamente gelada" por ano.
A birra em temperatura próxima a zero grau, motivo de orgulho em tantos botequins, é provavelmente a única contribuição genuinamente tupini-quim para a história da cerveja – e nem é reconhecida como um avanço. Se você sentar em um "biergarten" de Munique ou num pub de Londres, vai receber um copo com temperatura entre 10 ºC ou 15 ºC, faixa em que a maioria das cervejas revela o seu sabor. Para o calor tropical, essa é uma temperatura impensável, o que acabou originando o mito de que europeus são fãs de cerveja morna. Verdade ou não, fato é que criticar a cerveja alheia tem sido um ato recorrente na história. E um ótimo jeito de iniciar as conversas numa mesa de bar.

O nome da loira
No Brasil, a palavra chope vem da expressão "ein Schoppenbier", que era como os alemães pediam um quartilho (copo de 0,6655 litro) tirado do barril. A cerveja segue o mesmo processo de produção, mas a versão em garrafas e latas é pasteurizada para durar mais.

Ressaca faraônica
Beber até cair era mais que um prazer pessoal para os antigos egípcios. Todos os anos, era realizado o festival para a deusa Tefnuf, regado a muita comida, música e cerveja. Pinturas de um túmulo de 4 mil anos encontrado em Beni-Hasan mostram dois homens completamente bêbados sendo carregados de um banquete e mulheres vomitando depois de uma ressaca brava. Entre os egípcios, sair de uma festa caminhando com as próprias pernas era visto como maus modos, sinal de que o convidado não se divertira o suficiente.

Barriga de chope não!
Os celtas foram os grandes fabricantes e consumidores de cerveja da Europa no primeiro milênio antes de Cristo. Mas o consumo de cerveja tinha limite. Avessos à obesidade, tentavam não ficar barrigudos demais. Por isso, criaram uma multa para quem excedesse o tamanho padrão de um cinto.

Se beber, não dirija
O uso de veículos com tração animal e o consumo de álcool caminharam lado a lado a partir da metade do quarto milênio antes de Cristo. Para o arqueólogo inglês Andrew Sherrat, assim começou a história de uma das piores dobradinhas da elite ocidental: carros e bebidas. Nessa época, o arado – usado no cultivo de cereais e, logo, na produção de cerveja – e as carroças puxadas por cavalos chegaram à Europa. E, não muito diferente de hoje, apenas alguns privilegiados tinham acesso às duas tecnologias.

Porre sagrado
No século 7 da era cristã, a farra alcoólica transcendeu às tavernas e tornou-se um constrangimento na Igreja inglesa. Bispos e monges ganharam a má reputação de bêbados ou glutões. Os porres eram tão comuns que alguns chegavam a vomitar a hóstia durante a Eucaristia. As autoridades religiosas criaram então leis de conduta, punindo os clérigos que passassem da conta. Um monge levava 60 dias de penitência. Já um bispo podia ser punido com 80 dias de suspensão e até mesmo com a expulsão.

Barrica cheia
No século 16, a Inglaterra criou uma das punições mais inusitadas para acabar com os bebuns. O bêbado era colocado em um barril com buracos para cabeça, braços e pernas e exposto em praça pública. Em geral, o sujeito estava tão embriagado que dependia da boa vontade alheia para se soltar.

Toque feminino
A fabricação da cerveja é uma atividade ligada historicamente às mulheres. No antigo Egito, elas produziam a bebida e vendiam nas próprias tavernas para trabalhadores e estudantes. Entre os sumérios, a cervejaria era a única profissão zelada por uma divindade feminina, a deusa Ninkasi. Mas o hábito mais curioso vem do Japão. O arroz usado no saquê – considerado a cerveja japonesa – só podia ser mastigado por mulheres virgens. A técnica durou até o início do século 20, em Okinawa.

Cervejaria em alto-mar
Em 1944, os britânicos decidiram construir um navio-cervejaria, capaz de fabricar 250 barris por semana e saciar a sede dos soldados que combatiam na Segunda Guerra Mundial. Os navios Menestheus e Agamemnon foram enviados ao Canadá para as adaptações. Para azar dos militares, o primeiro deles só ficou pronto após o fim da guerra.

Cervejas em guerra
A cervejaria de Zittau, na Alemanha, tinha uma caldeira capaz de produzir 7 hectolitros de cerveja – uma quantidade impressionante para a época – e exportava para cidades vizinhas. Os habitantes de Görlitz ficaram furiosos com a importação da cerveja rival. Em 1491, a turma de Görlitz atacou e destruiu uma carroça com cerveja de Zittau. Para acalmar os ânimos, o governo local instituiu um imposto para a bebida concorrente.

Vai pagar quanto?
Para desestimular o consumo de álcool, a Noruega tem algumas das bebidas mais caras da Europa. Neste ano, uma guerra no comércio derrubou o preço de uma garrafa. O governo agiu rápido e avisou que vender bebidas abaixo do custo é ilegal. A farra durou poucos dias, mas foi o suficiente para os noruegueses encherem as adegas.

Existe muita controvérsia sobre a data de criação das primeiras cervejarias medievais, sobretudo se levarmos em conta aquelas instaladas em mosteiros. Os registros não são confiáveis e o ano de fundação dos mosteiros se confunde com o início da produção da bebida. A única coisa certa é que as pioneiras estão na Alemanha. Entre um gole e outro, os sócios da confraria alemã Biersekte cravaram a seguinte lista das cervejarias mais antigas ainda em atividade.

1. Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan (1040)
2. Klosterbrauerei Weltenburger (1050)
3. Herzoglich Bayerisches Brauhaus Tegernsee (1050)
4. Klosterbrauerei Scheyern (1119)
5. Schlossbrauerei Herrngiersdorf (1131)

Na livraria:
A History of Beer and Brewing - Ian S. Hornsey, RSC Paperbacks, Reino Unido, 2003
O Catecismo da Cerveja - Conrad Seidl, Senac, 2003
Os Primórdios da Cerveja no Brasil - Sergio de Paula Santos, Ateliê Editorial, 2003

Na internet:
www.beerhunter.com - Site do caçador de cervejas inglês Michael Jackson

Ingresso Rápido - Oktoberfest São Paulo 2012

Ingresso Rápido - Oktoberfest São Paulo 2012

Para quem gosta de cerveja, nada melhor que uma festa...